Hoje no nosso Blog é dia de apresentar mais um Convidado Internacional, se trata de Juan Martín Lozano, mexicano, que atualmente é Preparador Físico da categoria Profissional do Club Necaxa do México, clube que é um dos grandes do futebol mexicano. Participou do Mundial de Clubes realizado no Brasil no ano 2000, ficando em terceiro lugar. Está localizado no estado mexicano chamado Aguascalientes, mais precisamente na capital do estado, cujo nome é o mesmo. Martín Lozano nos contará sobre o Reabilitador, os seus pontos chave, a sua atual situação no cenário mexicano, as etapas para o Processo de Recuperação do Jogador e uma proposta de Tipos de Exercícios, tempo de readaptação e um tipo de protocolo para Prevenção de Lesões em jogadores de futebol.

Então vamos ao texto, boa leitura a todos!

                                                                              INTRODUÇÃO

Uma das minhas preocupações durante meus 20 anos de experiência, foi, é e será a busca contínua da melhora do rendimento dos meus jogadores, sendo que estes estejam sempre aptos para competir e mostrar as suas qualidades futebolísticas sem restrição alguma.

A Preparação Física do jogador é um componente que acompanha esse processo e que tem como objetivo principal ajudar ao Treinamento Específico (técnico-tático) a melhorar o rendimento dos nossos jogadores. Não pretendo abundar em temas de metodologia do treinamento, já que considero básico o tema.

De antemão sabemos que os meios de tipo geral, tem dois caminhos. O primeiro é melhorar aspectos condicionais e motores que o Treinamento Específico “esquece detalhar” e o segundo, que em algumas ocasiões esquecemos um pouco, a redução do risco de lesão.

Em ocasiões, a importância que damos para conseguir melhorar o rendimento imediato, somado a alta competição e poucos descansos aos que são submetidos os jogadores, são fatores para que apareçam Lesões e/ou baixas de rendimento. Dentro do Processo de Treinamento, como mencionei anteriormente, busco melhorar o rendimento e reduzir o risco de lesão, mas ante a lesão existe outro fator chave, a Reincorporação segura do jogador aos treinamentos grupais e, com isso, a reincorporação a competição, quando a lesão o tenha afastado da mesma.

A busca de como ajudar ao jogador, nesses objetivos, me levou a encontrar uma opção profissional, uma nova competência que se abre dentro da nossa carreira profissional como Preparadores Físicos. Esta nova área de trabalho abre a oportunidade de encontrar rotas alternativas, que permitam levar um processo de treinamento e competição com menos riscos e ao mesmo tempo, para o jogador lesionado, aproximá-lo ao seu nível de rendimento prévio a lesão, assegurando todos os processos de adaptação biológica conhecidos.

Essa nova figura dentro do nosso contexto responde ao nome profissional de Reabilitador Desportivo, sendo como qualquer outro profissional que tem uma especialidade, esse profissional deverá ser um Especialista em Treinamento de Força, Qualidade de Movimento e Lesões Desportivas.

                                                                         O REABILITADOR

O Reabilitador Desportivo, é parte de uma Equipe Multidisciplinar, que se dedicam a cuidar o Processo de Treinamento e cobrir as necessidades tanto de rendimento como de saúde que se vão apresentando, tanto no time como de forma individual em cada jogador. Essa equipe de trabalho está conformada por: Preparador Físico, Comissão técnica, Médicos, Fisioterapeutas e Nutricionistas.

Cada um aporta o seu conhecimento específico da área, sendo que os papéis devem estar bem definidos, para chegar a um fim comum, que é Prevenir os Riscos de Lesão, restabelecer e desenvolver a saúde desportiva, melhorar e/ou otimizar o rendimento do jogador, para possibilitar uma maior e melhor vida desportiva.

O Trabalho do Reabilitador, é paralelo ao treinamento normal do plantel e de cada jogador. Se deverá ajustar a metodologia ou filosofia de trabalho utilizada pela comissão técnica e/ou Preparador Físico, com a ideia principal de encontrar as melhores propostas de trabalho, que apoiem 100% as melhoras do time e de cada jogador.

O objetivo principal do Reabilitador Desportivo, se centra em ajudar ao Preparador Físico, encontrando possíveis carências condicionais, motoras e mecânicas, que aumentem o Risco de Lesão do jogador, além de trabalhar de Forma Individualizada com ele e os jogadores que devem melhorar, ou em seu defeito, ajudar o Descanso com estratégias que diminuam a sobrecarga relacionada com o estresse competitivo.

De forma geral, estabeleço os objetivos principais do Reabilitador Desportivo com base nos seguintes critérios:

  • Detectar mediante testes específicos, necessidades condicionais, motoras e/ou mecânicas, que aumentam o Risco de Lesões;

  • Buscar Estratégias que não interfiram no Treinamento Específico, para a melhora dos déficits encontrados;

  • Melhorar carências de Força Geral, Específica e de Retardamento da Fadiga;

  • Melhorar Aspectos Motores e Coordenativos, relacionados a lógica interna do movimento, isto é, todos aqueles padrões motores que se repetem com frequência e, que na sua má execução, aumentam o Risco de Lesão;

  • Melhorar os Desequilíbrios Musculares (agonista/antagonista) nas cadeias do movimento;

  • Melhorar a Coordenação Intra e Intermuscular, bem como, o Controle Motor, como executor correto do movimento;

  • Buscar um balanço correto da Estabilidade Lombo-Pélvica;

  • Colocar o jogador na Melhor Forma Estrutural na relação quanto a sua porcentagem de Gordura e Massa Muscular ideal;

  • Ter um Controle de Carga de Trabalho, tanto de treinamento diário como de competição, com a ideia de identificar possíveis sobrecargas e avaliar a necessidade de ajustar a carga de trabalho com a ideia de Redução do Risco de Lesão, por cada jogador.

Entre outro, considero que estas são as maiores responsabilidades e objetivos do Reabilitador Desportivo.

                                                            PONTOS CHAVE DO REABILITADOR

O Reabilitador Desportivo, utiliza os mesmos princípios universais que nos dita a Metodologia do Treinamento, assegurando as adaptações biológicas e mecânicas que se busquem melhorar. Entendendo a Carga de Treinamento, como o conjunto estruturado de meios ou exercícios de trabalho, que supõem a definição dos conteúdos, a magnitude, direção e caráter de treinamento. Tomando em conta os seguintes critérios:

  • Força como qualidade básica de todo movimento;

  • Capacidades Coordenativas como base motora e mecânica dos movimentos;

  • Princípio da Variabilidade, entendendo que a lógica interna desse esporte o exige;

  • Princípio da Especificidade, desde o geral, onde sempre cada exercício deverá ter uma transferência positiva das necessidades do esporte e do jogador;

  • Os meios de treinamento que uso com frequência são de tipo geral e reúnem as seguintes características:

-   Multi-articulares; Multi-planares; De aceleração e desaceleração; De controle e coordenação neuromuscular; De agilidade e coordenação motora; Baseado em movimentos e não em músculos; com Métodos Pedagógicos e/ou didáticos específicos do esporte; Biomecanicamente com alta transferência ao movimento e melhora, a nível perceptivo-motora e metabólica; As sessões de treinamento são consideradas como extra, pelo que essas não deverão passar dos 20 minutos de trabalho.

  • A Reabilitação Desportiva, pertence a uma área de intervenção não clínica (já que tem objetivos de manutenção da saúde e Recuperação Pós-Lesão), cujo objetivo principal é regressar o jogador a um estado óptimo, tanto para Melhorar seu Rendimento, Reduzir o Risco de Lesão ou como parte de sua Reabilitação Pós-Lesão. Portanto, o Reabilitador deverá estar atento aos seguintes pontos:

-   Fatores extrínsecos: Erros na planificação e desenho dos treinamentos em geral, lesões prévias (estatísticas gerais) que indiquem altas possibilidades de lesão a nível grupal e individual, método de trabalho da comissão técnica (com a ideia de contra restar desequilíbrios), entender as características e mecanismos das lesões, trabalhando sobre elas como meio de redução de risco tanto em nível grupal como individual.

-   Fatores Intrínsecos: Desequilíbrios musculares, idade, porcentagem de gordura e muscular, condições estruturais e funcionais, como as capacidades condicionais e motoras específicas e gerais.

O Papel do Reabilitador Desportivo se centra como o mencionado em dois grandes objetivos: Ajudar no Processo de Treinamento e Aumentar o Rendimento e a Redução do Risco de Lesão. Portanto, desde um ponto de vista pedagógico e didático, este deve cumprir com aspectos Preventivos-Reabilitadores e Educativos.

Preventivo-Reabilitador: Estas são duas tarefas cuja característica de carga é melhorar os déficits condicionais e motores encontrados, que ponham em risco tanto o rendimento do jogador como seu estado de saúde.

Educativo: Todo treinamento levado pelo Reabilitador deverá cumprir com um processo de Ensino-Aprendizagem, mediante ao qual se restabeleçam e/ou melhorem os Padrões de Movimento tanto básico como específico.

Podemos resumir da seguinte forma os efeitos positivos do Reabilitador Desportivo:

  • Prevenção Primária: Diminuir o risco de padecer alguma lesão ou déficit condicional e/ou motora;

  • Prevenção Secundária: Forma parte do tratamento precoce de alguma necessidade, melhorando seu controle;

  • Prevenção Terciária: A recuperação física e a prevenção de recaídas;

  • Reeducação das áreas corporais que o necessitem;

  • Avaliação Contínua do estado da equipe e de cada jogador;

  • O jogador ao sentir-se atendido e ao perceber sensações de melhora física, de forma inerente, muda as suas emoções melhorando os Aspectos de Confiança e Caráter.

                                                    SITUAÇÃO ATUAL DO REABILITADOR DESPORTIVO

Como mencionei anteriormente, essa é uma área de oportunidade que se apresenta atualmente a nós Preparadores Físicos e que, afortunadamente, a maioria dos clubes estão se interessando por ela. Ainda falta muito caminho para percorrer e, sobretudo, convencer de que essa figura dentro da instituição é de grande proveito, pois se encarrega de cuidar os “ativos” da instituição e levá-los, junto com a comissão técnica, a um melhor rendimento, em coordenação com a área médica e da fisioterapia, em direção a Prevenção e Recuperação de Lesões, junto ao departamento de nutrição nos seus cuidados morfológicos.

Atualmente, no meu contexto, levo os seguintes protocolos:

Uma vez que o jogador se lesiona, se inicia um processo de Avaliação da sua Lesão e uma série de decisões em torno a planificação e estratégia a seguir para o seu Tratamento e Recuperação. Estas decisões serão em caráter individual ao Tipo de Lesão e necessidades do jogador.

O primeiro passo ao momento da lesão é o diagnóstico, ou seja, saber que Tipo de Lesão tem o jogador e o Grau de Gravidade da mesma. Esse primeiro ponto é resolvido pelo médico, sendo este quem acompanhe todo o processo de recuperação, supervisionando e apoiando o trabalho que vai realizando a Equipe Multidisciplinar.

Sendo assim, se propõem dividir a recuperação nas seguintes etapas:

                                 ETAPAS DE TRABALHO PARA A RECUPERAÇÃO DO JOGADOR

ETAPA 1: Momento da lesão; Tratamento médico (medicamento); Fase inicial da Reabilitação (fisioterapeuta); Se ativa o protocolo por parte da Equipe Multidisciplinar, determinando a planificação e periodização a seguir, respeitando as fases, etapas e objetivos de cada uma. Será nesse momento, quando se junte toda a equipe multidisciplinar e seja planificado de forma geral cada etapa, descrevendo e priorizando as competências de cada área ao longo do tempo. A planificação será entregue as seguintes pessoas: Diretor de Futebol, Gerente de Futebol, Comissão técnica e ao jogador lesionado.

ETAPA 2 de Aproximação, Reabilitação Física de Saúde: É levada a cabo,  na maior porcentagem, pelo fisioterapeuta e tem o objetivo principal de restabelecer a função da estrutura lesionada e recuperar a sua função normal, utilizando as técnicas e modalidades próprias que eles considerem aptas para o tipo de lesão, como por exemplo: A Crioterapia, Ondas de Choque, etc. O uso do movimento motor, utilizando a Atividade Muscular, também é considerado dentro de suas Técnicas de Recuperação, tomando em conta que essa técnica terá finalidades apenas orientadas a recuperar a saúde, isto é, terão Funções Terapêuticas e Clínicas.

Nutrição, começa o seu apoio buscando manter a estrutura morfológica do jogador e ajudando a recuperação da estrutura lesionada, mediante as diferentes Estratégias Nutricionais.

Reabilitador-Preparador Físico, apoia com trabalhos de Manutenção das Estruturas Saudáveis como o trem superior, a zona do CORE, extremidade oposta, trabalho aeróbico e controle da carga física nas variáveis de carga interna e externa, sempre respeitando as recomendações médicas-terapêuticas.

ETAPA 3 de Orientação: Segue em uma porcentagem maior o trato clínico por parte do Fisioterapeuta, introduzindo já de forma progressiva e/ou em uma Zona Mista, a figura do Reabilitador-Preparador Físico, buscando dar uma maior especificidade ao Trabalho de Força, Capacidades Coordenativas e Condicionais em Geral, buscando exercícios e métodos que vão melhorando os padrões básicos transferíveis ao movimento competitivo, por exemplo, Exercícios de Cadeia Fechada como agachamentos, levantamento terra, etc. E/ou buscando uma readaptação aos mecanismos motores da corrida e aos componentes reativos do ciclo estiramento-encurtamento.

Sempre respeitando as recomendações do fisioterapeuta e estabelecendo entre ambos os critérios a seguir na progressão e direção do treinamento, assegurando a saúde e recuperação da estrutura, deixando uma marca positiva a nível Neuromuscular e energético, que permita aproximar-se a uma Reabilitação mais específica.

Nutrição continuará apoiando. Ao momento de aumentar a Carga de Treinamento, enquanto a complexidade motora e energética, as necessidades nutricionais terão que ajustar-se, pelo que a nutrição será um apoio importante.

Se o jogador começa com trabalho de campo, se integra o Preparador Físico (Analista de Desempenho) controlando via GPS a carga de trabalho e apoiando em recomendações para a sua progressão em volume e intensidade.

ETAPA 4 de Pré Optimização: O Reabilitador-Preparador Físico tomará a maior porcentagem do tempo de trabalho nessa etapa, tendo uma Intervenção Não Clínica, cujo principal objetivo de intervenção é o Retreinamento das habilidades e padrões motores básicos, fundamentais e especiais, melhorando globalmente a capacidade física e a eficiência metabólica do esforço específico ao esporte e/ou posição.

Permitindo ao Jogador Regressar aos Treinamentos Grupais, levando um controle do volume, intensidade, densidade e complexidade da carga de trabalho, respeitando os Princípios Pedagógicos e fisiológicos da metodologia do treinamento, assim como a aplicação de Avaliações que ajudem a tomar decisões em torno a direção metodológica da carga de trabalho.

A Análise do Desempenho via GPS, terá uma importância maior, já que é um suporte tecnológico que nos ajudará a controlar o trabalho e avaliar seus avances de formais mais real e específica, buscando alcançar as distintas variáveis que se ajustem a um Progresso Motor de acordo ao perfil competitivo do jogador, segundo a etapa de trabalho.

Nutrição segue apoiando em seus objetivos de manter o jogador com bons níveis energéticos e morfológicos.

Fisioterapia, apoia e supervisiona de forma coordenada com o Reabilitador os progressos do jogador, dando manutenção a estrutura lesionado se assim for necessário.

                                                                       ALTA MÉDICA-ESPORTIVA

Antes de passar a seguinte etapa, o jogador será avaliado, uma vez mais, por toda a Equipe Multidisciplinar, com o objetivo de tomar a decisão em conjunto e definir se está apto para passar aos treinamentos grupais.

  • Médico: Avaliação clínica que se faça necessária;

  • Fisioterapeuta: Avaliação clínica que se faça necessária;

  • Reabilitador-Preparador Físico: Teste de campo, avaliação coordenativa e condicional, as mesmas que serão aplicadas em várias ocasiões durante a sua reabilitação;

  • Nutrição: Avaliação nutricional que se faça necessária;

  • Preparador Físico / Analista de Desempenho: Variáveis do GPS a considerar de acordo ao perfil competitivo e de treinamento do jogador.

ETAPA 5 e 6 de Optimização: Ao receber a alta desportiva por toda a Equipe Multidisciplinar, o jogador se integra aos trabalhos grupais, de preferência, sem restrição alguma. Uma vez integrado, será a comissão técnica a encarregada de terminar de melhorar a forma competitiva do jogador, já que o nível grupal poderá realizar maior volume de trabalho em carga global, intensidade e complexidade.

Na Etapa 6, já será uma opção para competir ao 100%. Nessas duas etapas, a Análise de Desempenho via GPS cobra uma maior importância, pois se poderá ver os avances e alcances em cada treinamento, em relação ao perfil de rendimento individual do jogador. Este perfil dará maior claridade em conhecer as condições do jogador e tomar a decisão se está apto para competir. O Reabilitador acompanhará, levando uma estratégia de tipo coadjuvante, com o objetivo de Redução de Lesão ou Recidiva.

Pela recomendação da UEFA, se considera que um jogador está plenamente recuperado quando participe ao 100% das sessões de treinamento grupal, será então quando estará à disposição de poder ser considerado para competir.

*Maior quantidade de (+), maior importância

                                         CLASSIFICAÇÃO DOS MEIOS OU TIPOS DE EXERCÍCIOS A UTILIZAR 

  • GENÉRICOS: A natureza e a organização do Exercício/Carga, é totalmente diferente a manifestada na competição, exemplos:

-   Trabalho de Controle Neuromuscular de tipo Analítico com o objetivo de reeducar as capacidades perceptivas e motoras de tipo geral, não há presença de bola;

-   Corrida contínua e variável com os objetivos de regeneração e/ou adaptação.

  • GERAIS: O exercício e a Organização da Carga já têm uma ligeira proximidade com a observada na competição, na mecânica do exercício, nos vetores de Produção de Força, na via energética utilizada etc. Não existe Tomada de Decisão, nem bola. Exemplo:

-   Exercícios de Cadeia Fechada como agachamentos, levantamento terra e suas diferentes variações, que levem à melhora das diferentes manifestações de força;

-   Exercícios de Cadeia Aberta e/ou mista como simuladores de padrões de movimentos mais específicos, cujo objetivo seja melhorar e/ou criar Experiências Motoras, que melhorem algum padrão motor e a aplicação da força necessária.

-   Métodos Acíclicos com objetivos de melhorar as diferentes vias energéticas etc.

  • AUXILIAR: Variabilidade de exercícios ou carga com maior similitude em cinética, cinemática, planos, vetores e vias energéticas em relação a competição, mas ainda sem tomada de decisão, porém com uma maior concentração cognitiva. Exemplo:

-   Exercícios relacionados a melhora da reatividade com componentes do Ciclo Estiramento-Encurtamento;

-   Trabalho direcionado às Mudanças de Direção em espaços curtos com velocidades altas;

-   Sem presença de bola;

-   Trabalho de padrões fundamentais como a Força de Salto, Força de Corrida, Força de Luta (contato), a sua diferente manifestação de aplicação da mesma, etc.

  • DIRIGIDOS: O exercício ou meio de treinamento é parecido a competição em nível coordenativo e mecânico, em todas suas aplicações e manifestações de força e vias metabólicas. Existe, obrigatoriamente, a bola, podendo haver Tomada de Decisão Inespecífica e Alta Concentração Cognitiva. Exemplo:

-   Exercícios com a intenção de melhorar padrões fundamentais e especiais, como a Condução, o Controle, a Recepção, Passe com alta complexidade motora e energética.

  • ESPECIAL: A carga é parecida a de competição e a Tomada de Decisão é Específica. Uso exclusivo nas Etapas 5 e 6. Exemplos:

-   Rondos;

-   Posse de bola;

-   Espaço reduzido.

  • COMPETITIVO: Totalmente igual a competição, com alto conteúdo Tático de acordo a sua posição. Uso exclusivo nas Etapas 5 e 6. Exemplos:

-   Reduzidos com alto conteúdo tático;

-   Jogo simulado (coletivos).

                                PROPOSTA DO TEMPO DE REABILITAÇÃO FÍSICA DO JOGADOR LESIONADO

Proposta com alto grau de flexibilidade, pois dependerá do tipo de lesão e a sua evolução

          PASSOS A SEGUIR PARA UM PROTOCOLO COM O OBJETIVO DE REDUZIR O RISCO DE LESÃO

A Prevenção das Lesões tem que ser prioridade para qualquer pessoa relacionada com o Futebol, em especial para os treinadores, Preparadores Físicos, Reabilitadores, fisioterapeutas, nutricionistas e o corpo médico.

Fatores como a pouca coordenação e Controle Neuromuscular para a execução de alguns movimentos, sobre uso de alguns grupos musculares e vias energéticas, Desequilíbrios Musculares na ativação das cadeias de movimento, colocam em risco o jogador limitando seu rendimento e contribuindo para Gerar Déficits e Patologias do Aparelho Locomotor que podem provocar lesões, recidivas e/ou processos crônicos no jogador.

Pelo que a pergunta importante seria, Como Reduzir o Risco de Lesão no Jogador?

Minha proposta será dar um enfoque multifatorial, sendo a mesma Equipe Multidisciplinar a encarregada da Recuperação do jogador lesionado. Sendo esta quem tenha a responsabilidade de analisar as necessidades grupais e individuais do plantel e aplicar os meios que considere necessários, onde cada um abarcará suas competências de forma coordenada entre toda a equipe de trabalho.

         Para encontrar o Risco de Lesão, deverá realizar por parte de toda a Equipe Multidisciplinar, uma análise dos fatores que podem aumentar a mesma. Para resolver da melhor forma a complexidade da lesão e buscar sua redução, proponho resolver as seguintes perguntas:

1. – Para que? O objetivo principal disso será alcançar um equilíbrio e uma predisposição necessária dos diferentes sistemas de movimento, que participam nas várias execuções das ações e Habilidades Motoras Específicas e Gerais do futebol. Suportado por um Balanço Energético, estrutural, mecânico e condicional, que ajudem ao jogador a mover-se com qualidade e quantidade, assegurando uma Recuperação Muscular, Energética e Psicológica, ajudando ao jogador a melhorar o seu rendimento e Reduzir o Risco de Lesão. Tendo, o mesmo, a disposição para os treinamentos, mas sobretudo para a competição em uma maior porcentagem do tempo.

2. – Como? Conhecendo as diferentes variáveis que podem predispor o jogador a uma lesão, como são:

  • Analisar quais são as Lesões mais frequentes, de que tipo e seu mecanismo, para aplicar medidas gerais escolhendo os melhores exercícios e sequências que ajudem a reduzir ditos riscos;

  • Historial Clínico, lesões e o tipo de lesão, cirurgias etc. Aplicando os testes que se considerem necessários por parte do médico;

  • Composição Muscular, somatotipo, porcentagem de gordura, porcentagem muscular, aplicar Avaliações Antropométricas etc.;

  • Capacidade de movimento relacionado a saúde, aplicando testes relacionados com o Controle e Coordenação Neuromuscular do movimento, graus de mobilidade, função postural etc.;

  • Capacidade de movimento relacionado com o rendimento desportivo, aplicação de teste de campo que tenham Transferência ao Controle e coordenação neuromuscular das habilidades e padrões motores do movimento competitivo, força;

  • Conhecendo a Resposta Metabólica, Bioquímica e Hormonal ao esforço com a aplicação e controle regular das variáveis CK, ureia e cortisol;

  • Carga de Trabalho em suas diferentes direções. Em minutos e porcentagens de treinamento;

  • Controle da Carga Externa e sua interpretação em relação a Carga Interna, mediante a Tecnologia do GPS;

  • Controle da Carga Interna mediante o questionário do Índice Subjetivo de Esforço RPE;

  • Dando diferentes variáveis ao treinamento com objetivos de Redução de Lesões.

Grupal ou Geral, onde serão atendidas as lesões mais frequentes e os seus mecanismos.

Individual ou Específico, em função das necessidades individuais, a partir do historial médico e a análise dos diferentes testes realizados.

Manifestando distintas direções:

 Preventivo: Ajustando assimetrias, falta de mobilidade, trabalho para os antagonistas, controle neuromuscular, habilidades perceptivas, estabilidade lombo-pélvica, recuperando o equilíbrio energético e muscular mediante tarefas de baixa intensidade e complexidade.

-   Estrutural: Melhorando a composição corporal, aumentando massa muscular e/ou diminuindo a porcentagem de gordura.

-   De rendimento: Melhorando déficits em padrões, habilidades motoras e coordenativas, lado a lado com a capacidade física primária que é a força em suas diferentes manifestações.

  • Dar leitura oportuna aos Testes Bioquímicos, assim como as variáveis mais importantes do GPS e o RPE, para orientar se o jogador está em condições ou não de competir e/ou treinar. Essa decisão será tomada com todo o corpo técnico e serão eles os que autorizem ou não a utilização do jogador.

3.- Quando? Se propõe o seguinte:

  • A aplicação dos testes, Questionários e controles das Avaliações e/ou melhoras, serão ao início da pré-temporada e as demais a critério de cada responsável das diferentes áreas;

  • O Controle Bioquímico será no mínimo quinzenal, de preferência semanal;

  • O Controle de Carga Interna e Externa com o GPS e o Questionário RPE terá que ser diário;

  • Os trabalhos a Nível Preventivo de tipo grupal, obrigatoriamente, deverão ser como mínimo uma vez por semana, tratando de que sejam duas vezes, de tipo opcional. Para os mais jovens do plantel será obrigado e realizado diariamente, sendo realizado antes da parte principal da sessão de treino, com um tempo não maior aos 20 minutos;

  • Os Trabalhos em Nível Preventivo de tipo individual ou específicos, de forma obrigada, será mínimo duas vezes por semana, sendo que de forma opcional poderão ser realizados diariamente;

  • O Trabalho com Objetivos Estruturais, de tipo geral e de forma obrigada, será mínimo uma vez por semana, sendo o melhor duas vezes. De forma opcional haverá rotinas diárias e estas serão depois dos treinamentos;

  • O Trabalho Estrutural de tipo específico ou individual, será obrigado de duas a três vezes por semana;

  • O Trabalho de Rendimento, será depois dos treinamentos e irão em dependência dos objetivos específicos da parte medular do treino, onde será realizado no mínimo duas vezes por semana;

Afortunadamente, dentro do meu clube encontrei um apoio bárbaro a todas minhas propostas, mas, desafortunadamente, onde encontro algo de oposição é dentro da comissão técnica, pois com frequência o Preparador Físico, observa com um certo ciúmes, e imagina que quero o seu lugar, coisa que seria ilógico por ir em contra da instituição.

Espero que este pequeno artigo, escrito de acordo com a minha experiência de Reabilitador, sirva para motivá-los a seguir o caminho da preparação e se dar conta que nossa área de trabalho é mais amplia do que pensamos.

E aí você gostou desse assunto? Concorda com a importância dada pelo autor a figura do Reabilitador em uma equipe de futebol? Deixe aqui o seu comentário e não esqueça de fazer a sua inscrição hoje mesmo no nosso Evento PF PRO A Preparação Física em Alto Nível! Entre na página https://preparacaofisica.futebolinterativo.com/pro/ e faça a sua inscrição hoje mesmo, o Evento é gratuito e online!

                                                                           Juan Martín Lozano

FORMAÇÃO ACADÊMICA:

  • Licenciado em Educação Física Desporto;

  • Mestre em Ciências da Atividade Física.

 

EXPERIÊNCIAS PRÁTICAS:

  • Desempenhou a função de Reabilitador do time Profissional do Club Necaxa em torneios anteriores com uma experiência de trabalho no futebol de 25 anos;

  • Atualmente, é Preparador Físico da equipe da primeira divisão do futebol Mexicano.