Jogo de posição e ataque posicional são concepções diferentes, enquanto o ataque posicional ocorre apenas em fase de ataque, sendo melhor visualizado nos dois últimos terços do campo, o jogo de posição é definido por Abel Rojas, no livro Osório Tactico, como não sendo um estilo, nem um sistema, mas uma “cultura tática”. Eu ainda acrescento que o objetivo é criar superioridades (veja o texto onde falo mais especificamente sobre elas clicando aqui), não é um tipo de ataque específico, pois para falar desta cultura tática precisamos falar de mais momentos do jogo, como as transições ofensivas e defensivas, ao invés de falarmos só da organização ofensiva em si. Por isso, listarei as fases e momentos do jogo e colocarei os elementos fundamentais em cada um, claro que uma coisa ou outra vai variar de equipe para equipe, por exemplo, o jogo de posição de Guardiola não é o mesmo que o de Sarri ou de Osório, são três maneiras diferentes de praticá-lo, mas trarei pontos em comum e ainda trarei as possíveis variações.

 

Transição ofensiva

Ao recuperar a bola, as equipes não priorizam o contra-ataque, claro que em situações particulares o melhor a se fazer é arma-lo, o próprio Manchester City, o time que melhor representa o jogo posicional, faz gols assim, mas não é a intenção primária na maior parte das vezes. O que se busca é organizar a equipe para atacar, isso significa distribuir as peças pelo campo de jogo, ocupando os espaços seguindo a premissa do ataque posicional e aos poucos ganhar alturas no campo. E isso se faz trocando passes, porém não é passar sem objetividade apenas para ganhar tempo, mas sim buscando se deslocar em bloco, como uma unidade, para o campo de ataque. Guardiola mesmo tem uma regra dos 15 passes preparatórios para atacar, no qual detalha mais no livro Guardiola Confidencial, de Marti Peranau “Se não houver uma sequência de 15 passes preparatórios, é impossível realizar bem a transição entre defesa e ataque. Impossível. O importante não é ter a bola, nem passá-la muitas vezes, mas combinar os passes com uma intenção. Os percentuais de posse de bola ou o número de passes de um time ou de um atleta não tem a menor importância: o que importa é a intenção por trás dos passes, o que se busca quando forem dados, o que uma equipe pretende...”

https://twitter.com/brais_acebal/status/729266967736139777

Neste video é possível ver a equipe do Barcelona recuperando a bola no campo de defesa e se deslocando em conjunto até o campo de ataque, seguindo o princípio de viajar juntos.

 

Organização ofensiva

-SAÍDA LAVOLPIANA (OU A 3): Aqui o ataque posicional é realizado desde a saída de bola, que geralmente é feita com 3 jogadores, para poder gerar superioridade numérica contra os 2 atacantes que iniciam a marcação (Já que a maioria das equipes iniciam a marcação no sistema 4-4-2).

 

Créditos de imagem: Leonardo Miranda.

Aqui o conceito do ataque posicional, de manter as posições em campo ocorre desde a saída de bola, já com o objetivo de criar superioridade numérica e garantir uma saída “limpa” de trás.

 

-ATAQUE POSICIONAL: Exatamente como falamos no último texto (se você não viu clique aqui), é um tipo de ataque que tem como princípios: Valorização da posse de bola, distribuição espacial da equipe no terreno de jogo e antecipação de uma possível associação com os companheiros próximos. Os passes precisam sempre ser executados com uma intenção, eliminar rivais, por isso ter a bola é importante, o resto (se defender com a posse e praticar um jogo vistoso) é consequência disso.

É importante entendermos que nem toda equipe que pratica o ataque posicional vai praticar o jogo de posição, porém toda equipe que pratica jogo de posição vai praticar o ataque posicional. Pois ataque posicional advém da fase de organização ofensiva, enquanto o jogo de posição é um conjunto de ideias não só desta fase do jogo.

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Créditos de imagem: Caio Gondo.

O ataque posicional é mais visível nos dois últimos terços do campo, enquanto o jogo de posição é visível em todos os terços. Portanto o ataque posicional faz parte do jogo de posição.

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O Manchester City é o melhor exemplo de um time que faz o ataque posicional e o jogo de posição.

Já o Atlético de Madrid pratica o ataque posicional, mas não o jogo de posição.

 

Transição defensiva

Neste momento do jogo, é importante fazer a pressão pós perda, justamente com o intuito de continuar atacando. Há diferentes maneiras de fazer isso (explico detalhadamente neste texto: sobre os tipos de pressão pós perda no futebol), porém aqui o objetivo maior é recuperar a bola com a equipe já estando distribuída no campo de ataque, e a melhor maneira de fazer isso é forçar o rival a jogar uma bola longa para então recuperá-la atrás e iniciar o ataque novamente, pois se a recuperação ocorre já no campo de ataque é bem provável que a equipe não esteja distribuída conforme o ataque posicional preconiza e então restará acelerar o jogo, o que não é a prioridade de quem pratica o jogo de posição.

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Os times de Guardiola fazem a pressão pós perda que prioriza a recuperação da bola mais trás, após o rival jogar uma bola longa onde 1 jogador pressiona o portador da bola enquanto os outros fecham as linhas de passe de possíveis receptores. 

 

Organização defensiva

Esta fase do jogo é bem dinâmica entre os praticantes do jogo posicional, pois há quem marque por zona, como Guardiola e Osório, e há que marque por encaixes, como Sampaoli e Bielsa. Porém, o que possuem em comum é que todos eles ordenam suas equipes para fazer pressão alta nos rivais na maioria dos confrontos. E mesmo quem marca com predominância zonal, ao pressionar alto a marcação é geralmente por encaixes (Vale lembrar que em um jogo pode-se realizar mais de um tipo de marcação, então posso marcar por encaixes em bloco alto e por zona á partir do bloco médio).

Manchester City buscando fazer encaixes para marcar a saída de bola rival.

O jogo de posição é muito mais do que uma maneira de atacar, representa uma visão de jogo, uma filosofia peculiar, como falamos envolve todas as fases do jogo, não apenas o ataque. É algo extremamente complexo para ser praticado, exige atletas com o perfil necessário para tal, além de tempo para treinamento e assimilação, não à toa o Barcelona prepara seus atletas desde cedo para serem usados no time principal e não para vende-los, pois o objetivo é manter essa cultura no clube.

Por Gabriel Mieli Fortuce.

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