Doutorando em Ciência do Desporto na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto/Portugal. Analista da Performance.

Primeiramente, para iniciarmos, lhes pergunto: O que é um Modelo de Jogo? Antes de continuar a leitura, procure responder a questão em uma pedaço de papel (ou digitado). Agora sim…. vamos lá!!

Para iniciarmos essa pequena abordagem de poucas palavras, vamos reforçar a diferença entre dois aspectos, a Ideia de Jogo e o Modelo de Jogo. A Ideia de Jogo passa por ser como o treinador imagina que a sua equipe jogue, qual a expectativa que ele detém. Por outro lado, partindo das ideias à hierarquização (por exemplo, planificar como se pretende que os jogadores se relacionem (joguem)), o Modelo de Jogo é algo que guia os treinadores e os conduz durante o processo de operacionalização e modelação tática da equipe (Garganta e Gréhaigne, 1999; José Scaglia et al., 2013).

Assim, para o desenvolvimento das ideias em uma forma de jogar específica, necessitamos compreender que a influência de aspectos como a cultura do clube, país ou região, o contexto do nível competitivo, as características dos jogadores e as ideias do treinador, serão preponderantes para promover uma cultura tática com base em princípios de jogo. Por consequência, a compreensão da relação destes fatores pode contribuir para a operacionalização de um processo de treino que estimule comportamentos técnico-táticos que correspondam com a modelação do próprio jogar do nosso Modelo de Jogo (Pinto e Garganta, 1989; Tamarit, 2013; Oliveira, 2014).

A específica forma de jogar do Modelo de Jogo deve basear-se na concepção de treino pautada em diversas áreas do conhecimento, ao considerarmos o jogo enquanto um sistema complexo (Morin, 1990; Garganta e Gréhaigne, 1999). Fundamentado em concepções metodológicas que guiam um processo de treino específico, considerarmos a interação das fases e dos momentos de jogo, das escalas da equipe e da organização dos princípios e sub-princípios que tencionamos para o jogo, permitirá com que as nossas ideias surjam e sejam expressadas pelos jogadores (Teoldo, Garganta, Guilherme, 2015).

Com essas concepções e pressupostos, compreender o que é um Modelo de Jogo e de que maneira podemos desenvolver o nosso jogar, possibilitará aos treinadores uma melhor compreensão da lógica interna do jogo, os capacitando em identificar de que maneira os jogadores desempenham os seus comportamentos e como será possível potencializar suas competências em prol da equipe (Faria, 1999; Tobar, 2018).

Dessa forma, quando abordarmos o assunto para discutirmos um modelo de jogo e as ideias voltadas para um jogar, já podemos diferenciar o significado de cada um. No entanto, com o desenvolvimento de nossas ideias, os desafios que enfrentamos na profissão podem modelar algumas convicções que foram construídas ao longo do tempo. Por mais que tenhamos ideias consolidadas, o Modelo de Jogo estará em permanente construção.

Por fim, os deixo mais uma questão: quais são as suas ideias (para as organizações defensiva e ofensiva) para iniciar a construção de uma forma de jogar específica em um Modelo de Jogo?

REFERÊNCIAS

FARIA, R. “Periodização Táctica” Um Imperativo Conceptometodológico do Rendimento Superior em Futebol.  Dissertação (Dissertação). Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física Universidade do Porto, Porto. 1999.

GARGANTA, J.; GRÉHAIGNE, J. F. Abordagem sistêmica do jogo de futebol: moda ou necessidade? . Movimento, v. 5, n. n.10,  1999.  

SCAGLIA, A. J.  et al. O ensino dos jogos esportivos coletivos: as competências essenciais e a lógica do jogo em meio ao processo organizacional sistêmico. Movimento, v. 19, n. 4,  2013. ISSN 0104-754X. 

MORIN, E. Introdução ao pensamento complexo.   Sulina Porto Alegre, 1990. 177.

OLIVEIRA, J. G. (2004). Periodização Tática: Pressupostos e Fundamentos. Curso ministrado na Universidade Federal de Viçosa - Viçosa, Brasil 2014.

PINTO, J.; GARGANTA, J. Futebol português: Importância do modelo de jogo no seu desenvolvimento. Revista horizonte, v. 6, p. 33,  1989.  

TAMARIT, X. Periodización táctica vs Periodización táctica. Valência: MB football,  2013.  

TEOLDO, I.; GARGANTA, J.; GUILHERME, J. Para um futebol jogado com ideias: Concepção, treinamento e avaliação do desempenho tático de jogadores e equipes. Curitiba: Editora Appris,  2015. 

TOBAR, J. B. Periodização Tática. Entender e aprofundar a metodologia que revolucionou o treino do Futebol. Prime Books, 2018.