Qual a diferença entre ideia de jogo, modelo de jogo, e modelação

Como espero que minha equipe recupere a posse da bola e ataque a baliza adversária? Ataquei, perdi a posse da bola, como defendo minha baliza ou recupero a posse? Em situações de bola parada, seja ofensiva ou defensivamente, minha equipe agirá de maneira específica? 

Qual a importância da hierarquização dos princípios e subprincípios pretendidos e como aplicá-los nos treinamentos? Os jogadores que estão no elenco, possuem características que agreguem no modelo de jogo pretendido? Os jogadores estão absorvendo as ideias (ideias claras)? Os jogadores estão se desenvolvendo pessoal e coletivamente? Minhas informações transmitidas aos jogadores estão sendo feitas com qualidade?

Acredito que todas as questões acima levam sempre ao entendimento dos 3 termos destacados. Uma vez respondidos, irão surgir algumas questões naturalmente.

A ideia seria o primeiro passo do treinador. Como ele imagina que sua equipe se comporte. Seguido do modelo de jogo, o treinador utilizará como um guia que conduzirá às ideias durante o processo de operacionalização, ou modelação. 

Ou seja, o modelo de jogo será o suporte para a modelação da forma de jogar específica.

Modelação

Vamos analisar a semana pré-competitiva da equipe. Supondo que a data do primeiro jogo seja 21, iremos detalhar do dia 13 ao dia 20. Ratificando que, no ambiente de escolinhas, não conseguimos tantas informações sobre o adversário e sua maneira de jogar. 

Quando se disputa campeonatos na região, essa dificuldade se torna ainda mais latente. Por isso, busquei preparar a equipe com base nas deficiências técnicas gerais da idade e dando ênfase nas características positivas da minha equipe.

Os objetivos desta semana consistem em fazer a manutenção dos ganhos obtidos com os treinamentos durante o processo de preparação, espelhar a realidade da competição que irá se iniciar (jogo-treino), fortalecer pontos fortes identificados.

 Acredito que numa etapa final de preparação, não seja adequado optar por corrigir falhas ou desenvolver pontos negativos. Isto, deve ser feito durante todo o processo e, tocando nestes pontos próximos da estreia, poderemos diminuir a confiança dos jogadores.

Construção do Modelo de Jogo

Selecionei a equipe Sub-13 que trabalho. Jovens de 12 e 13 anos. 

A rotina não é tão exigente como a de uma categoria de base de um clube e nem o elenco fixo (visto que é uma escolinha e a rotatividade de alunos é alta), mas irei adaptar para que consiga utilizar mais o conteúdo absorvido.

 Por se tratar de uma idade que ainda estão aprendendo o básico no futebol, imagino um modelo de jogo que ensine. Inclusive, prepare os jogadores para diversas situações que poderão encontrar. Até mesmo para detectar uma predisposição em determinada posição dentro de campo.

 

Características dos princípios e subprincípios:

Organização Ofensiva

  • Amplitude: alongar o campo de atuação. Utilizar laterais ou extremas (vertical) e centroavantes e zagueiros (horizontal) na manutenção da posse da bola e organização do ataque. 

  • Liberdade guiada: utilizada até o meio campo. Durante a construção de uma ação ofensiva, zagueiros, laterais e volantes terão que, prioritariamente, executar ações conforme o treinamento. Ou seja, sua liberdade de ação dependerá dos movimentos do adversário sem efetuar “lances de efeito”. A partir do meio campo, volantes, meias, extremas e atacantes utilizam uma liberdade objetiva. Sempre buscando a baliza adversária o mais rápido possível.

  • Jogar com profundidade: jogadores avançados atacam a última linha adversária afim de inibir ou prejudicar a organização defensiva.

 Transição Defensiva

  • Pressão na bola: também conhecido como pressão pós perda. Objetivo de retardar a progressão do adversário ou recuperar a posse da bola para conseguir condições mais claras de finalização com superioridade numérica e próximo à área adversária.

  • 5 segundos para recuperar a posse da bola: complementa o tópico acima. Caso não ocorra a recuperação, é possível uma melhor organização defensiva.

Organização Defensiva

  • Compactação: diminuir linhas verticais e horizontais. Principalmente, não permitir que o adversário conclua passes verticais. (Linha de defesa alta).

  • Defesa na intermediária: subir linhas para melhor entendimento da compactação e em caso de recuperação da posse da bola, superioridade numérica na transição ofensiva.

  • Bascular linhas transversais: principalmente na vertical. Sentido zagueiro – atacante

Transição ofensiva

  • Tirar a bola da zona de pressão: na linguagem popular é conhecido como “desafogo”. Procurar um companheiro bem colocado para efetuar o passe (geralmente é feito do lado oposto em que a ação ocorre). Apesar da inferioridade numérica, o portador da bola terá mais tranquilidade para decidir a melhor ação.

  • Saída compactada: em caso de ataque rápido ou contra-ataque, toda a equipe deverá sair em bloco (compactação dos setores em todas as fases do jogo). Caso não seja possível, a equipe estará organizada para efetuar o jogo apoiado (até o meio campo).

Todos os pilares (princípios) possuem uma ligação entre si, seja na fase ofensiva como na fase defensiva e em transições. Para a idade que trabalho, acredito que desta forma, os jogadores consigam enxergar (executando no campo) a importância e consigam aprender de maneira mais assertiva.

Bolas paradas

Devido a algumas características, no meu entendimento, a bola parada deve ser considerada a 5ª fase do jogo. Seja ela defensiva ou ofensiva. Vejamos apenas o momento da cobrança de uma falta lateral, por exemplo. 

O portador da bola (batedor) não sofre nenhum tipo de pressão exercida pelos jogadores adversários. É possível recuperar a concentração para efetuar a cobrança. Existe também o fator surpresa, que pode ser demonstrado numa jogada ensaiada. Estes exemplos confrontam a dinâmica do jogo em si, onde não existe tanto tempo para a tomada de decisão e a imprevisibilidade está presente quase que a todo momento.

Bolas paradas defensivas (escanteio)

Marcação mista: dispomos de um jogador na primeira trave, outro em linha baixa (quase ao lado), um no centro da área (geralmente será o jogador que atacará a bola) e outro na entrada da área. 

Os demais jogadores efetuando marcação individual (pode haver alteração conforme o número de jogadores adversários dentro da área). Notamos, também, dois jogadores avançados que estão prontos para uma transição ofensiva. Geralmente coloco um extremo velocista ao lado oposto da batida do escanteio, neste caso, e um atacante (de perfil baixo, pois os jogadores altos estão na área dando suporte para a defesa) como “pivô”. 

Bolas paradas ofensivas (escanteio)

Sempre o jogador que melhor bate na bola, com o “pé certo” (bola no ataque direito, jogador destro. Bola no ataque esquerdo, jogador canhoto) será o cobrador. Nesta idade nota-se alguma dificuldade de fazer com que a bola chegue no centro da área ou na segunda trave. Posiciono um jogador na primeira trave e outro próximo ao goleiro.

As cobranças treinadas são longas, podendo variar para curta (alguns adversários não se concentram e o jogador que recebe a bola curta tem liberdade para invadir a área). 

 Considerações finais

O modelo de jogo é o guia e comparativo dos treinadores durante todo processo de operacionalização e modelação tática da equipe. Por mais que tenhamos as ideias consolidadas, jamais teremos um modelo de jogo concluído. Ele estará em constante construção e evolução.

Gostaria de ilustrar o que o futebol representa, de uma maneira lúdica. O caos, ou a busca por ele. Um esporte que conta com a imprevisibilidade, que constantemente queremos provocar o desequilíbrio entre os setores do adversário. Como o trânsito da Índia, em que existe o caos, porém nenhum veículo se choca.

Espaço FI: 

Estas foram as orientações a partir do conhecimento do nosso aluno Leonardo Mantovani, aluno da segunda turma de Modelo de Jogo. O que achou? Deixe abaixo seu comentário. 

Você se interessa por Modelo de Jogo?  Então participe!