O futebol é um jogo complexo em que cada situação que os atletas enfrentam, está diretamente dependente do portador da bola que, por sua vez, tem suas ações condicionadas pelas contínuas interações realizadas, pelos jogadores e equipes em cada momento do jogo.    

A essência do futebol é principalmente tático-estratégica, sendo assim, configura-se a necessidade de um modelo tático de jogo pretendido pelo treinador.

O Modelo de jogo é um intermediário entre a teoria científica, que está em um plano teórico e o referencial de estudo, que está no plano real. Logo, ele tem o objetivo de auxiliar o treinador a desenvolver conteúdos e processos de aprendizagem, estimulando a tomada de decisões por tarefas de descoberta guiada, de acordo com as respostas recebidas do seu plano empírico (a equipe).

Esse processo de interpretação, construção e operacionalização do treinador com o seu referencial de estudo, tendo como base uma teoria adotada é chamada de modelação.

Modelar um sistema complexo passa por permanente construir, modificar, adaptar e conceber modelos.

Estruturando a Forma de Jogar 

Hierarquização  dos princípios, subprincípios e sub dos subprincípios.

Organização Defensiva: a equipe adotará um tipo de defesa predominantemente reativo. Portanto, deve-se priorizar tais princípios, subprincípios e sub dos subprincípios:

Diminuir o espaço efetivo de jogo:

  • Em comprimento para trás (atacantes) e para frente (última linha defensiva);

  • Movimentações de recomposição defensivo através do retorno dos atacantes de acordo com a progressão da bola no campo de jogo;

  • Em largura do lado direito e esquerdo;

  • Movimentações   de   estabilidade   nas   linhas   defensivas nos corredores laterais;

Bascular as linhas transversais

  •  Verticalmente (Inter linhas transversais);

  •  Diminuição da distância entre as linhas transversais;

  •  Horizontalmente (intra linha transversal);

  •  Diminuição da distância entre os jogadores da mesma linha transversal.

Avançar, estabilizar ou recuar as linhas transversais de acordo com a pressão na bola

  • Bola não pressionada: estabilização ou recuo das linhas defensivas no campo;

  • Proteção máxima a baliza;

  • Proteção máxima aos espaços vazios na grande área.

Organização Ofensiva: A equipe adotará as características predominantes no tipo contra-ataque. Sendo assim, pretende-se trabalhar os seguintes princípios, subprincípios e sub dos subprincípios:

Aumentar o espaço efetivo de jogo:

  • Em comprimento e para frente;

  • Movimentações sem bola de instabilidade na última linha defensiva adversária;

  • Em largura do lado direito e esquerdo;

  • Movimentações sem bola de instabilidade nas linhas defensivas nos corredores laterais.

Concentrar o máximo de jogadores na área adversária na finalização

  •  Infiltração de jogadores que estão fora da área na grande área adversária;

  •  Recepção do passe em espaços vazios na área adversária.

Jogar em profundidade

  • Criação de linhas de passe para frente;

  • Execução de passes curtos, médios e longos.

Jogar em amplitude

  • Criação de linhas de passe nos corredores laterais do campo;

  • Execução de passes laterais e diagonais curtos, médios e longos.

Transição Defensiva: A equipe realizará treinos voltados para o desejado princípio e os subprincípios:

Pressionar o portador da bola:

  • Estabilização defensiva para entrada na organização defensiva;

  • Recuperação da bola de maneira indireta (erro do adversário);

  • Reestruturação, recomposição e retorno das linhas transversais.

Transição Ofensiva: Alinhado com a proposta da organização ofensiva, será trabalhado o seguinte princípio e seus subprincípios:

Tirar a bola da zona de pressão:

  • Retirada da bola da zona de pressão pelos corredores do campo;

  • Retirada da bola da zona de pressão através de passes nos corredores laterais.

Bolas Paradas: Tendo em vista uma característica da equipe, a alta estatura dos jogadores, e o que é esperado como padrão para o restante da temporada, será trabalhado o princípio da marcação por zona nas situações defensivas (faltas e escanteios). Nas situações ofensivas, será trabalhada a cobrança dos escanteios na direção contrária a meta do adversário, sem o “pé invertido”, com o intuito de priorizar a alta estatura dos jogadores da equipe.

Espaço FI: 

Estas foram as orientações a partir do conhecimento do nosso aluno Felipe Augusto, aluno da segunda turma de Modelo de Jogo. O que achou? Deixe abaixo seu comentário. 

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