Hoje no nosso Blog é dia de apresentar mais uma Convidada Especial, se trata de Andreia Ávila, que acompanha o Joinville Esporte Clube desde 2016. Andreia nos contará sobre A Difícil Arte de Fazer Acontecer em Plena Pandemia, comentando sobre Autorresponsabilidade, Saúde Mental, Equilíbrio Psicológico e as possíveis soluções para atenuar os problemas atuais.

Mas, por que os Aspectos Psicológicos no Futebol importam tanto?

Você vai entender agora. Boa leitura!

Neste momento em que se fala tanto em Pandemia, ficar em casa, rever conceitos – tudo isso e muito mais – por Autorresponsabilidade, eu fico me perguntando: Será que estão incluindo no meio das Múltiplas Funções essa difícil e tão pouco praticada arte de Fazer Acontecer? Em política, costuma-se dizer que as coisas não acontecem porque falta vontade política! Que tipo de vontade falta quando as coisas não acontecem na vida pessoal de um Profissional do Esporte diante de acontecimentos tão estranhos, como uma pandemia? Na verdade, eu acredito que essa questão – a de se fazer ou não acontecer sob aspectos profissionais – deve ser abordada sob dois ângulos.

Um primeiro ângulo é de natureza da Personalidade de cada indivíduo.  Refiro-me aqui à constituição de uma postura de Autorresponsabilidade, enquanto estrutura Mental, Intelectual, Psicológica, Emocional e até Física (leia-se: Energia e disposição) dos atletas dos grandes e pequenos clubes de futebol. Se temos um cenário assustador, mas também temos aí um movimento que deve ser colocado em prática na vida do profissional do esporte a sua Corresponsabilidade sobre sua vida no momento do Isolamento Social.

Sejamos realistas: Em toda equipe há pencas daqueles profissionais conhecidos como (salto alto), aquele que odeia ou não sabe (meter a mão na massa, arregaçar as mangas ou tocar a obra) – permitam-me as expressões populares.

E isto nem é uma questão de incompetência, é questão de falta de estrutura mesmo, de característica pessoal. O Atleta é em algumas vezes passivo por natureza, pois estar sendo encorajado, ditado por regras dos clubes e o que ele gosta de fazer é somente jogar e vencer. Fazer, que é bom, mas em grande parte, não monta por si só um esquema de condicionamento físico e Equilíbrio Psicológico.

Figura 1. Site/Krav Maga Ceara

Geralmente bem atuante e de vasto currículo, este profissional costuma impressionar nas atuações da partida. Depois, impressiona mais ainda quando entrega à diretoria um resultado positivo de seu desempenho. Mas como sabemos, no Isolamento Social, ele tem um desafio, se manter preparado o suficiente para voltar a jogar como se tivesse sendo acompanhado por toda equipe de profissionais que sempre o mantém no condicionamento esperado pelo clube.  E quando este atleta não assume a sua Responsabilidade em manter-se com condições de jogar?

A partir daí, as Diretorias dos Clubes de Futebol têm nas suas mãos, um problemão: E agora, o que é que vou fazer com isso? Quase sempre a solução que estamos vendo é criar um Grupo de Trabalho para se encarregar da implantação de projetos on-line para manter o condicionamento físico e o Preparo Psicológico deste jogador. Ou seja, acaba de ser decretado o arquivamento da Autorresponsabilidade. Porque quem não participou, tem um plano elaborado de nova rotina em tempos de pandemia, não consegue se manter firme na continuidade do trabalho, não vai entender o espírito, a essência, o processo de quem usou os Neurônios.

Assim, terá imensas dificuldades para colocar tudo aquilo em prática, pois um time une vários atletas com os mesmos esquemas de condicionamento. Mas e como fica aquele que não se manteve no comportamento Autorresponsável? Sabemos que não há nenhuma incompatibilidade que impeça Músculos e Neurônios de trabalharem juntos. Esse comportamento Autorresponsável ajuda a criar um diferencial neste profissional.

O que podemos concluir disto? Que a teoria é ótima quando se torna prática. Se não, continuará teoria e de pouco valerá nestes tempos de acirrada competição entre os times, que cobra Objetividade e Pragmatismo em todas as ações futebolísticas.

Vamos ao segundo ângulo da questão, que em minha opinião, não por ser Psicóloga, é de natureza Psicológica: tem a ver com Insegurança, com medo de se expor, com desejo de resguardar-se de eventuais fracassos. E explico por quê: É muito cômodo apenas dar a justificativa de uma Pandemia – e se o resultado não for o esperado, sair-se com desculpas esfarrapadas: Você não seguiu direito as instruções!

Sabe aquela história do Técnico de Futebol que, mesmo depois da derrota do time, insiste em dizer que taticamente o time esteve perfeito? O que ele está querendo de fato dizer? Que ele, técnico, não teve culpa, os jogadores é que não souberam finalizar o chute e fazer o gol... E quando uma casa cai? Vejam, os cálculos estruturais da obra estão perfeitos, agora, com essa mão de obra que vocês pegaram não sei onde, não há muro que fique de pé! Claro que estes são meros exemplos para ilustrar meu ponto de vista: sei que não cabe ao Técnico de Futebol fazer o gol, nem ao Engenheiro Civil levantar a casa. Mas quanto ao jogador…

Figura 2. Site/Mundo Psicologos

Espero que me entendam: É muito mais fácil fabricar culpados quando você não gera Autorresponsabilidade ou o próprio clube divide a responsabilidade da missão em times isolados, há os que têm talento, os que o colocam em prática, os que fazem os ataques, os que driblam mal e os que efetivamente fazem gol. Eis o clima ideal para se praticar as esquivas de responsabilidades. Não é comigo!

A solução em tempos pandêmicos? Simples: Sinergia, União e Autorresponsabilidade. Todos fazem parte de um mesmo time. Podem nele existir pensamentos diferentes, comportamentos controversos, sonhos distantes, objetivos claros..., mas estão todos juntos num mesmo momento de susto e de Isolamento Social. Podem dar uma excelente aula de competências – se eliminadas as esquivas... e se um desmotivar vai todo mundo para o mesmo buraco. O nome disso é EQUIPE! Todos pensam juntos e todos fazem acontecer juntos. Em equipe, os envolvidos sugerem, discutem, discordam, concordam, rediscutem... e quando chegam à decisão final, TODOS são responsáveis pela execução, por Fazer Acontecer.

Portanto, eis aqui a minha dica em tempos pandêmicos: Ao fazer sua Auto Avaliação de Desempenho, convém aos atletas saber quem entre seus times fica a decisão de passivamente deixar as coisas acontecerem, concretamente fazer as coisas acontecerem ou simplesmente nem saber que as coisas estão acontecendo!         

E aí, você gostou desse assunto? Conte aqui para a gente se você concorda com a ideia de gerar Autorresponsabilidade nos jogadores, principalmente em momento de Pandemia e Isolamento Social? E não esqueça de colocar o seu nome na nossa lista de espera para o curso de Psicologia do Esporte, entre na página https://psicologia.futebolinterativo.com/ e clique no botão “Tenho Interesse”.

                                                                              Dra. Andreia Ávila:

FORMAÇÃO ACADÊMICA:

  • Especialista em Psicologia do Esporte;

  • Especialista em Saúde Mental;

  • Especialista em Psicologia Organizacional e do Trabalho.

 

EXPERIÊNCIAS PRÁTICAS:

  • Psicóloga e Palestrante;

  • Cerca de 20 anos atuando na área da Psicologia do Esporte e Clínica;

  • Desde 2016 vem acompanhando a trajetória do Joinville Esporte Clube.