Antes de entrar de maneira mais aprofundada na Gestão Esportiva, é necessário esclarecer que muitas pessoas confundem e/ou associam termos como Gestão Esportiva com Administração Esportiva. Em poucas linhas, tentaremos esclarecer essa discussão.

Em inglês o termo utilizado nesse ramo é sport management, onde a tradução livre de management é Gestão, por isso em português, se dá preferência ao termo Gestão do Esporte. Mas, existem aqueles que entendem a Gestão como sinônimo de Administração e há aqueles que creem que existem diferenças, onde a Administração seria uma função determinativa e a Gestão uma função mais executiva. Também, que a Administração seria ligada a órgãos públicos ou sem fins lucrativos, enquanto a Gestão esportiva estaria ligada a empresas privadas e indústria (Rocha & Bastos, 2011).

O ponto é que na literatura, entende-se que o termo mais utilizado é o de Gestão Esportiva devido a sua maior aproximação ao termo em inglês management.

Quando nos referimos a planejamento, organização, liderança e controle de organizações esportivas, e que quem conduz essa Gestão, ou seja, os Gestores são quem tomam as decisões ao longo de todo o processo (Rocha & Bastos, 2011).

Com isso, o esporte como instituição social, no mundo moderno, foi organizado através de uma atividade denominada Gestão (ou Administração) Esportiva, que surgiu da necessidade de manter tais atividades físicas regularizadas, formalizadas e legitimadas (Tubino, 1992).

No Atlas do Esporte no Brasil (2005), encontra-se uma definição da Sociedade Norte-Americana para Gerência do Esporte-NASSM sobre Gestão Esportiva que diz que, a mesma, é “um corpo de conhecimentos interdisciplinares que se relaciona com a direção, liderança e organização do esporte, incluindo dimensões comportamentais, ética, marketing, comunicação, finanças, economia, negócios em contextos sociais, legislação e preparação profissional”.

Com isso, entendemos que a Gestão Esportiva é muito mais que “apenas” gerir, é necessário o entendimento do contexto onde se está inserido, desde as suas leis até as características da população local, para poder tomar decisões a fim de suprir as expectativas dessas pessoas, fazendo com que a organização esportiva cresça de maneira sustentável.

Entendido o conceito de Gestão Esportiva, surge a inquietação para saber como deu o seu surgimento e evolução no Brasil?

As primeiras abordagens se deram no início do século XX, em 1906, com a primeira convenção nacional das Associações Cristãs de Moços (ACM’s), com os gestores de diferentes unidades do Brasil. Posteriormente, nas décadas de 30 e 40 publicam-se manuais no Exército brasileiro sobre organização de competições. Em 1937, o Sistema Esportivo Nacional tem o seu marco inicial com a criação da Divisão de Educação Física (DEF). Em 1941, o Decreto Lei nº 3.199, legitima o esporte profissional e coloca a organização e a prática do esporte sob a tutela do Conselho Nacional do Desporto-CND. Em 1942, se publica a primeira obra de Administração Esportiva no Brasil intitulada Organização de Educação Física e Desportos de autoria de Maria Lenk (Atlas do Esporte no Brasil, 2005).

Em 1971, publica-se o Diagnóstico da Educação Física e Desportos no Brasil no qual torna-se clara a deficiência da Gestão Esportiva no país. Nessa mesma década, mas ao final da mesma, surge o curso de Administração Esportiva na Universidade Gama Filho-RJ tendo o marketing esportivo como base. Em 1994, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) estabelece a linha de pesquisa em Administração e Marketing Esportivo. Em 1998, publica-se a Lei Pelé (n° 9.615) que ressalta simultaneamente a necessidade de profissionalização dos clubes e a demanda por cursos de Administração Esportiva (Atlas do Esporte no Brasil, 2005).

Apenas no final dos anos 90 e início dos anos 2000, a Secretaria Nacional de Esporte do Ministério do Esporte implementou o projeto Gestão Esportiva, com o objetivo de “capacitar, através de palestras e cursos de qualificação profissional, recursos humanos, visando a melhoria gerencial do esporte brasileiro”. Em 2003, surge o Estatuto da Defesa do Torcedor (Lei n° 10.761), valorizando a Gestão Esportiva. Desde então, a Gestão Esportiva continua em constante processo de evolução com uma incidência grande no Marketing Esportivo que tem sido matéria de muito debate (Atlas do Esporte no Brasil, 2005).

A continuação, se visualiza um modelo de organograma proposto por Janetti (2008) que mostra como o desporto se organizou no Brasil após a regulamentação da Lei Pelé.

Janetti (2008) ainda complementa dizendo que com o passar do tempo o esporte foi sendo organizado/sistematizado e o amadorismo substituído pelo profissionalismo, onde os clubes não conseguiam viver apenas com os seus próprios investimentos, à medida que a evolução exige profissionais cada vez mais capacitados e, por consequência, caros. Dessa forma, os clubes buscaram recursos financeiros externos, estabelecendo uma forma importante de relacionamento econômico, o Patrocínio Esportivo.

Para Brunoro & Afif (1997), o Patrocínio é a relação da imagem de um produto/serviço com outras áreas, relacionadas ou não. Quanto ao esporte, muitas empresas que estampam suas marcas nas camisas dos jogadores não apresentam seus produtos ligados à área esportiva em questão, mas o retorno obtido com a exibição da imagem é extremamente vantajoso para tais instituições.

Isso reforça o que foi dito, anteriormente, de que o papel do Marketing Esportivo é de grande crescimento e relevância no cenário brasileiro desde a aprovação da Lei Pelé, que considera os clubes como clubes-empresas, exigindo um maior profissionalismo na sua gestão, aumentando a organização do esporte no país.

Assim, a tendência dos clubes no Brasil é especialização na sua Gestão para receber o crescimento do Patrocínio Esportivo (Brunoro & Afif, 1997).

Portanto, com todo o apresentado até aqui, entende-se que o atual momento da Gestão Esportiva no Brasil é de grande relevância e expansão, onde clubes sem uma Gestão Profissional estão praticamente impossibilitados de alcançarem grandes resultados, pois o amadorismo não tem mais espaço neste cenário e o profissionalismo de todas as áreas que envolvem o esporte e, neste caso, o Futebol é o primeiro passo para alcançar o sucesso Desportivo.

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REFERÊNCIAS

ATLAS DO ESPORTE NO BRASIL. Capítulo Administração/Gestão Esportiva, 2005. Organizador: Lamartine Pereira da Costa. 1 Ed, pág. 760-761. Disponível em: http://cev.org.br/biblioteca/atlas-esporte-brasil/, acessado em 27 de out. de 2020.

BRUNORO, J. C.; AFIF, A. Futebol 100% profissional. São Paulo: Editora Gente, 1997.

JANETTI, P. F. Modelos de Gestão em Esportes: Apontamentos Introdutórios a partir de Revisão da Literatura. Faculdade de Educação Física da Universidade Estadual de Campinas, São Paulo, 2008.

ROCHA, C. M.; BASTOS, F. C. Gestão do Esporte: definindo a área. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, São Paulo, v.25, p.91-103, dez. 2011.

TUBINO, M. J. G. Dimensões sociais do esporte. São Paulo: Cortez: Autores Associados,1992. (Coleção polêmicas do nosso tempo, v.44). 79p.