Na América do Sul, os operários acompanharam a expansão do futebol.   Logo, a participação dos trabalhadores transformou o esporte, que lentamente foi profissionalizado. 

         

Mas como se deu a profissionalização do futebol no Brasil? Como os operários dialogaram com as elites para transformar o lazer sério em uma atividade lucrativa?

 

A relação entre fábrica e futebol não é um fato que ocorreu apenas no Brasil. No final do século XIX, os operários ingleses fundaram clubes que nasceram dentro das fábricas. O West Ham, por exemplo, foi formado por trabalhadores nas empresas siderúrgicas, o Manchester United por ferroviários e o Arsenal, por trabalhadores da indústria armamentista.


Eduardo Galeano, escritor uruguaio, nos diz que o “o jogador profissional salvou-se da fábrica ou do escritório, tem quem lhe pague para que se divirta, ganhou na loteria...aparece nos jornais e na televisão, as rádios falam seu nome, as mulheres suspiram por ele e os meninos querem imitá-lo.” (GALEANO, 2012, pág.11). Porém, nem todo jogador tem uma carreira “estrelar”.

 

Ser jogador de futebol amador no Brasil, na década de 1930 até meados de 1960, dependendo do Estado e das relações da prática esportiva com outros setores, como empresários e grupos de trabalhadores, era possuir uma vida agitada. Noites agitadas, bebidas, jogos de azar e clubes sociais, esse era o Métier do "atleta".

 

Faltar treinos, chegar atrasado ou de ressaca, era algo comum nos clubes de futebol, por isso, os “cartolas” não cobravam muito do jogador, afinal, era no dia dos jogos decisivos ele iria fazer a diferença dentro das quatro linhas. No entanto, boa parte dos jogadores amadores eram operários que representavam a fábrica nos pequenos campeonatos disputados por trabalhadores fabris.

 

Por Marco Neto  @marco.antonio.batista.neto 

Historiador e Mestrando UFCG